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segunda-feira, 19 de julho de 2021

Viver bem é muito fácil: Como observar a realidade

Vou discorrer nesta postagem sobre as ideias do filósofo indiano Jiddu Krishnamurti (imagem) sobre a percepção da realidade.


IMAGEM: Google

Para acessar o vídeo no Youtube, acesse o link:

O primeiro ponto que discorrerei a respeito é o que o filósofo decreta que a forma trivial de percepção da realidade, que abrange todos os seres humanos, se baseia no passado. A mente humana está sempre a observar o passado. E a dar autorização para que outrém lhe induza o jeito de observar.

Quando olhamos para as coisas, as identificamos com base em um nome. Esses nomes e todo conhecimento acerca da coisa observada foram nos passados por terceiros. A família no primeiro momento, a Igreja, as escolas, a Mídia, os governos e outras instituições.

Com isso olhamos, por exemplo, para uma árvore, e a chamamos de árvore porque assim nos ensinaram. Se além disso, conseguimos distinguir o tipo de árvore e o chamamos pela distinção – se uma mangueira ou um coqueiro por exemplo –, o tipo de fruto que ela dá, se o mesmo é comestível ou não, se a árvore está desfolhada, o que nos remete a novas informações como a estação do ano em que estamos, tudo isso nos foi doutrinado. Apreendemos essas informações, formando memória, em dado momento no passado, e as resgatamos sempre que temos que observar uma árvore.

Logo, o ato de observar, dentro dessa descrição sugere que sempre olhamos para a nossa memória e não para a coisa sendo fitada, a fim de identificá-la e dentre outras atividades realizar medições e ou julgamentos. Sempre que recorremos à memória, naturalmente a mente foca no passado.

E conforme Krishnamurti, e eu concordo com ele, o contato com o passado nos conduz à sofrimento. Mesmo quando a lembrança nos traz durante um tempo fragmentos de prazer ou até prazer intenso. O prazer fatalmente se transforma em dor quando não se pode mais fazê-lo durar.

E o prazer que remetemos a ele através da memória torna ainda mais penosa a dor, pois, muitas vezes são situações que não podem ser vividas novamente, como as peripécias inerentes de quando se é menino, ou situações que no exato momento em que vem a lembrança não se pode contar com tudo que há nela, tanto objetos quanto pessoas e outros seres, para se experimentar na realidade material do jeitinho que foi na época recordada.

Se quisermos observar realmente as coisas como elas são, temos que manter o foco no presente e nos despir de toda informação que recebemos no passado, que forma o que seria o conhecimento que temos e a impressão acerca de cada componente da observação que fazemos. E acaba por nos dirigir o comportamento a seguir.

Cada momento que observamos é totalmente novo. Tudo o que há na observação é novo. Ainda que seja uma pessoa com quem convivemos diariamente.

Tendo consciência disso, não precisamos resgatar da memória as informações nos passada para decidirmos como desfrutar do momento. Fazemos valer livre arbítrio e a qualidade de seres individuais que somos. 

Destrói-se assim as instituições que precisam que o ser humano tenha suas crenças condicionadas à suas doutrinas, é bem verdade. A mais específica delas seria a religião. E as ideias de Deus ou até mesmo de Eu Superior são perdidas diante à persuasão com que se é naturalmente abordado para obter a constatação de que a matéria não existe e por isso nada pode ter sido originado e nada pode ser destruído, apenas transformado. Tudo é experiência e esta é atual, atemporal e até não local.

De modo que vida após a morte também seja inconcebível. Faz mais sentido acreditar que a consciência é que é eterna, porém coletiva, e independe de um corpo físico para se manifestar. Só precisa que uma experiência seja sentida. Somente o percebimento existe.

Quem observa faz parte da observação. De maneira que a coisa observada é o observador ou o observador se torna a coisa observada por estar contido nela. E isso se dá logo que se é tomado por sentimentos causados pela experimentação. Tudo que observamos nos leva a sentimentos e é para o fim de usufruirmos deles que, consciente ou inconscientemente, observamos.

É claro que não é necessário ir ao extremo. Não é necessário correr o risco de morte por comer um fruto que por meio das informações adquiridas já se sabe ser venenoso. Não precisamos começar do zero se optarmos por existir com plenitude da consciência. O ideal é usar o que já se conhece apenas para dar suporte ao ato de atenção plena.

Quando se alcança esse tipo de percepção da realidade chamado de atenção plena se experimenta sensações indescritíveis. A simples atenção no momento é a fonte da verdadeira alegria. É como se estar a meditar a todo instante. Nenhuma frustração ou sentimento negativo se prova, uma vez que não se recorre à memória para se fazer medições ou análises sobre o que é visto ou sentido por meio dos outros sentidos.

Nenhuma imagem se forma na mente para ser guardada e ser resgatada posteriormente. Não se fotografa o momento. É sabido que se trata de um instante único, que não poderá ser repetido e nem mesmo será pretendido que o seja.

A sensação experimentada dessa forma é invariável e recorrente. Será sempre a mesma sensação toda vez que se mantiver foco no agora, toda vez que se tiver atenção plena. Por isso é inútil guardar na memória registros do momento, se sempre que tivermos intenção de reviver as sensações experimentadas nele basta-nos focar no agora. E é para reviver sensações que criamos memória.

Ensinar como é essa forma de observar é inútil. É o mesmo que negar o axioma que prega que para executá-la é necessário despir-se do passado e destituir-se de dar autoridade para alguém condicionar a observação. A experiência tem que ser completamente pessoal. E totalmente presente. Levando-se em conta pouca coisa do aprendizado já obtido.

O que alguém pode fazer no sentido de ajudar outro a manter atenção plena é contar como acontece consigo. Eu, por exemplo, olho para o horizonte como se estivesse olhando para um quadro que apresenta bidimensionalmente uma paisagem. Nele, tudo está misturado em tinta sobre uma superfície imprimível. As nuances das cores é que define o que o pintor quis que fosse entendido como elemento reconhecido da natureza.

Algo importante de se dizer é que as palavras não são as coisas. E nem estou me referindo ao fato de uma mesma palavra em línguas diferentes poder significar coisas diferentes ou coisas distintas poderem ser designadas com palavras diferentes conforme a Língua.

Devemos ter em mente que os demais seres vivos não dão nome para as coisas com que interagem. Tomam suas decisões com base no que observam e no ato de observar. Comunicam-se uns com os outros, até mesmo entre espécies, usando a comunicação universal, que é a da vibração emitida pelo próprio corpo, quer seja através de sons, mímicas ou outro meio de se exteriorizar o que está na mente.

Supõe-se, então, que mesmo que possamos qualificar certas observações que fazemos dos outros entes senscientes como instantes de profunda dor ou privação, a qualidade de vida deles, do ponto de vista do gozo de suas experiências, é maior do que a dos seres racionais, pelo simples fato de a todo ínterim manterem atenção plena, viverem o agora.

Por ter desenvolvido linguagem verbal estruturada para expressar seus pensamentos, construído ciências e ter a capacidade de explicar a si memo não torna o homem melhor do que os outros seres senscientes. O que o Homem conseguiu com isso não o coloca mais inteligente do que os outros seres providos de inteligência básica. Se um dia a vida humana acabar na Terra, preservando no entanto os outros seres, tudo para estes continuará como está. E durará por muito mais tempo sem a interferência humana em sua evolução ou em seu habitat destruindo ecossistemas.

O fato de haver selvageria só é observado por quem classifica como selvagem certos costumes, geralmente alimentares. Quem classifica é que se importa com classificações. Nem mesmo as presas dos predadores deixam de gozar vida intensa por manter a atenção no agora e dispensar linguagem verbal estruturada ou raciocínio considerado lógico pelo Homem. Sequer têm noção do que é selvageria ou de que poderiam viver com mais segurança tendo eliminado o predador.

Em atenção plena se olha para o Sol sem dar nome para ele. Apenas o fita, o contempla e se sente a experiência disso. O mesmo vale para o céu, as núvens, as árvores, as serras, as casas e até as pessoas e animais que atravessam o horizonte contemplado. Tudo fica misturado como no quadro artístico mencionado.

Nosso modo tradicional de observar faz com que separemos cada elemento componente do nosso observar. Separamos, o tornamos tridimensional, e em seguida recorremos à memória para identificá-lo, chamá-lo pelo nome, medí-lo, julgá-lo, para só então tomarmos decisões sobre que comportamento adotar. Só depois é que nos vêm emoções, que geram pensamentos, que nos embebem de sentimentos e por fim nos fazem Ser ou Estar. Comparado com quem vive com a atenção plena: vivemos com um certo delay, enquanto este vive em tempo real. Vivemos sempre no passado.

Aquilo de uma observação que é separado se apresenta como partícula para o observador. É particularizado, se torna particular, se manifesta à percepção, se identifica. Aquilo que é visto sem expressão ou o que não é percebido se apresenta na forma de onda, sem manifestação para os sentidos materiais, exceto a intuição.

A energia escura é o que nos dá maior capacidade de descrever algo que esteja se comportando como onda. Se pegarmos o sentido da visão, tudo o que conseguimos ver e identificar está se comportando como partícula, está se manifestando. É, portanto, para nós, com mais convicção, matéria.

Mas, o que se encontra fora do campo da visão não quer dizer que não está ali. Não conseguimos ver o que está às nossas costas. Isto, então, se comporta como onda, fora da atenção.

Essa analogia vale para todos os outros sentidos. No caso do som ou do olfato, podemos ouvir ruídos e sentir odores ou aromas que vêm de áreas que não podemos ver, como o que está atrás de nós por exemplo. Mas, só percebemos o que se comporta como partícula.

O som ou o cheiro que ganha atenção se comporta dessa maneira. Os demais ruídos que não separamos ou identificamos se expressam na forma de onda. Ou seja: não se manifestam, não ganham atenção.

O tato tem comportamento especial: aquilo que tocamos e sequer sabemos que havemos tocado, na maioria das vezes por não conhecermos sua textura ou estarmos com falta de sensibilidade tactil, passa por nós como uma onda.

Quanto aos sentidos humanos, a intuição é peculiar. O próprio sentido se comporta como partícula ou como onda. Quando intuimos algo, a intuição, então, está se manifestando, se expressando como partícula. E quando ela ocorre latentemente, nenhuma mensagem partindo dela vem à superfície da mente como um insight, uma comunicação intuitiva ou um sonho, a intuição se expressa como onda.

Se o subconsciente existe, cuidando em segundo plano das funções vitais do corpo, é cabível dizer que ele opera como onda. Somente quando resolvemos dar atenção à própria respiração ou ao próprio batimento cardíaco é que o faríamos expressar-se como partícula. Entretanto, o que evidenciamos na verdade nesses casos são as funções desempenhadas pelo inconsciente.

No momento de contemplação, o corpo vibra em sintonia com a vibração própria da contemplação. E tudo se transforma em energia pura, em uma coisa só, unidimensional. O tão falado pelos místicos: “Todo”, a totalidade. É nesse estado que se reconhece o verdadeiro sentimento de amor, a vibração do amor, a paz, o equilíbrio, o bem-estar, a saúde, a prosperidade.

O todo envolve a cena observada e nós, os observadores dela. Incluindo os pensamentos que mantemos, a própria consciência e a inconsciência. Tudo isso é uma coisa só, que está dentro do planeta Terra, que por sua vez está dentro do Sistema Solar, da Via Lactea, do Universo por completo.

Tudo é expresso em energia pura quando livre do pensar. Quando experimentado com atenção apenas, com presença à disposição de experiências. Os astros perambulando no Cosmos estão tendo dessas experiências, assim como nós na Terra e também os que habitam o microcosmos.

E isso é o que se pode chamar de equilíbrio ecológico e existência farta de prosperidade e de alegria intensa. E está ao alcance de qualquer ser humano.

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sexta-feira, 2 de julho de 2021

Viver bem é muito fácil: Conheça sua mente

IMAGEM: Google.

Para ver a postagem no Youtube:

A mente humana é uma ferramenta para o humano usar. Muitos de nós tem aquela impressão de que a mente possui autonomia e que está fora do corpo físico. Ainda mais que muitos dos pensamentos que ela produz não gostaríamos de tê-los. Uns pensam que não somos donos da mente que temos. É ela então quem os usam. Outros sabem que somos donos dela sim. Porém, a mente não é o que somos. O eu verdadeiro está fora dela e também do corpo físico, controlando os dois.

A verdade é que todos esses pensamentos indesejáveis somos nós mesmos que influenciamos a mente a constituí-los. Durante anos e anos somos influenciados, pelas experiências que temos, a dar forma a esses pensamentos e, natural e incondicionalmente, os armazenamos.



Como fazemos com os arquivos de computador que criamos e mesmo sem utilidade póstuma não apagamos. Para algum lugar na memória da máquina eles têm que ir. E quando situações que condicionam o aparecimento deles acontecem, eis que voltamos a ter contato com eles.

A mesma coisa são com os pensamentos. Por exemplo, assistimos a filmes de terror, ficamos impressionados com alguma cena, nos assustamos, repudiamos a cena para o caso de termos que vivê-la na realidade, mas, nada fazemos para apagar as impressões. Elas acabam guardadas em nossa memória. E quando nos deparamos real ou virtualmente com situações similares à cena repudiada, eis que vem à superfície da mente a sugestão de experiência que tanto gostaríamos que não surgisse. E se nada fizermos para que ela não se materialize, se não evitarmos que nos emocione fortemente aquele pensamento, dizendo coisas como “cancela” ou “nada errado, tudo certo”, ou desenhando mentalmente um escudo, nas palavras dos religiosos: “traremos a desgraça para casa” ou “daremos corda para o demônio”.



O tempo todo estamos pensando em alguma coisa. A mente é a canalizadora, decodificadora e geradora de imagens desses pensamentos. A interação que inevitavelmente temos que fazer com o meio é responsável pela maior parte do que pensamos. A necessidade de tomada de decisão é o principal motivo.

O ambiente físico é todo feito de vibrações. O tempo todo estamos vibrando. E também as outras coisas, pessoas e demais seres vivos vibram incessantemente. A comunicação universal é a vibração. Quer queira, quer não, quer saibamos ou não, a mente constantemente recebe essas vibrações e as traduz. E forma os pensamentos que temos, que tem vez que não vemos qualquer sentido em estar pensando em certa ação.

Isso só ocorre quando não estamos atentos ao presente, ao ínfimo momento atual. Essa coisa que chamam de atenção plena. Porque quando estamos inteiramente atentos, focados em tudo ao redor e sem efetuar medições ou julgamentos, a mente não forma imagem. Ela não precisa formar imagem ou decodificar a vibração que está captando para que possamos compreender o que a está influenciando. 


A mente é como se fosse o monitor de vídeo do computador que um ente superior controla. As imagens que ela forma. Em vez de impulsos elétricos ligando diodos no interior de uma placa de circuito integrado, as vibrações que ela capta do meio exterior é que dão origem a impulsos elétricos que combinam dendritos e formam sinapses cerebrais. Quanto mais raciocínio, mais compreensão, mais sinapses, mais nítida a imagem que a mente forma, maior a capacidade de conversão da imagem em matéria.

Para isso, temos que estar treinados a não produzir julgamentos. Ou seja: se pôr totalmente em controle remoto. Deixar que o inconsciente nos conduza pelas estradas, sem se preocupar com diferença de tonalidade de cores, se está por vir um aclive ou um declive, se passou por nós um homem alto, que talvez pudesse ser alguém conhecido, ou uma mulher de baixa estatura, que teria sido grossa.

A gente tem momentos assim quando estamos indo para algum lugar que conhecemos o caminho de cor e salteado e estamos absortos em pensamentos ou apressados. Quando dá hora de virar à direita a gente vira; se o semáforo nos acende a luz vermelha paramos; voltamos a andar quando se torna verde pra gente.

Muitos de nós nesta situação faz uso da outra faculdade da mente: produzir pensamentos que nascem do íntimo. Muitos desses são algumas vezes chamados de inspirações. Neste caso, a influência pode estar vindo do éter, de uma região mais próxima do sobrenatural, que toca o espiritual. E muitos desses pensares são recordações. Às vezes, recordações são desencadeadas pelo contato no meio físico com algo que as recobram. Mas o que imaginamos estimulados por inspirações pode também se transformar, efemeramente, em recordação, se pertinente.

Nunca tive sorte de encontrar texto científico sobre a mente humana que me empolgasse o raciocínio para eu dar meu aval de quem entendeu claramente o proposto. O que já ouvi falar ou já li é de ser o meio-ambiente, incluindo a comunicação com os outros, o causador das imagens mentais, além dos processos cognitivos, que se referem aos momentos em que na mente vão parar análises e formulações tanto de pensamentos, quanto de palavras. Tornando a mente bem a cara de ser uma ferramenta que usamos para interagir com o mundo material.

Que tudo que viemos a experimentar materialmente passa primeiro pela mente é hipótese defendida pelos cientistas da mecânica quântica. Os da ciência convencional – particularmente o pessoal de psicologia – aceitam que tudo que o homem constrói ou já construiu passa ou se passou pela mente dele antes de vir ao mundo.

E aqueles, os quânticos, também defendem que a realidade que experimentamos é fruto da observação que fazemos. Que tudo existe em todos os estados possíveis e que é a observação que as mentes fazem que decide, no momento de observar, a probabilidade selecionada ou aquilo que se suceder. Surgindo, então, um vórtex veloz e etéreo, que causaria o que chamam de colapso quântico. E a coisa sai do mundo imaginário para ganhar luz no tridimensional geográfico. Esse pessoal menciona também o emaranhado quântico, que descreve a crença de que a mente não passaria de uma força e que todas as mentes estão ligadas, inclusive a universal, que seria a que move tudo, inclusive os astros no céu. O caos no universo seria o resultado da atividade incessante das mentes emaranhadas.

Foi lendo o ótimo livro “A cabala mística” da Dion Fortune que entrei em contato com uma intrigante teoria sobre a evolução dos seres vivos que conservam os ocultistas. Conforme o livro, o homem primitivo teve que aprender que o que ele imaginava e o que experimentava realmente eram eventos separados. Sua mente era vazia, sobretudo de pensamentos inatos, que praticamente não tinha. Carregava pra ela somente imagens formadas pela sua interação com o meio. Se ele tivesse algo como uma alucinação, ele não diferenciava do que via realmente. Ver o horizonte a céu aberto era o que seria a consciência habitual; com a cabeça afundada na água era para ele um outro estado de percepção.

As surpresas com que se deparava, como tentar apanhar no ar um vulto ou um raio de luz, os efeitos de pareidolia nas paredes das cavernas, foram aos poucos virando aprendizado e sendo catalogado instintamente. A voz interior foi sendo diferenciada dos ruídos externos. E até as imagens que viam nos espelhos d'água, ou seja o reflexo de si e de outras coisas, bem como as sombras de si próprio e dos objetos, tiveram que ser classificados para que pudessem interagir sem choque com o mundo.

Para os ocultistas, os sonhos foram responsáveis por trazer muitas respostas para perguntas e soluções para problemas que os primitivos buscavam durante o estado pleno de vigília. E parece que ainda é assim para o homem. E para os animais que demonstram também sonhar – e até a ter pesadelos –, como os cães.

Dizem os neurolinguistas que a mente atrai as experiências que vivemos. Se é verdade que a mente canaliza as vibrações vizinhas, oriundas de pessoas, objetos e eventos, latentes ou não, decodificando e formando imagens mentais para se comunicar com o pensante e dizer -lhe o que ela está canalizando, não há a menor dúvida de que seja assim mesmo. Mesmo porque, se observamos cada instante que deixamos para trás o que aconteceu foi isso. E achamos que os pensamentos que tivemos ocorreram por se relacionar com o acontecimento ocasionado. Mas, no fundo é como se uma pessoa sentisse fome e materializasse uma pizza de queijo e calabresa por serem os ingredientes disponíveis ao redor para ele cozinhar.

Antes eu vivia um paradoxo tendo essa crença de que a mente atrai o que pensa: “estou atraindo ou pressentindo o que materializo”. Hoje sei que não existe premonição. Ninguém pressente qualquer coisa. Ninguém prevê o futuro, exceto aquilo que é calculável, como a rota de um meteoro por exemplo; se vai chover ou se vai dar sol. Mesmo essas coisas são probabilidades.

A mente pode ser sugerida. Pode desenvolver sinapses cerebrais compatíveis com determinados pensamentos. Sugestões que podem sair de terceiros, como é o mais normal. Mas também nós mesmos podemos dar sugestões para a própria mente. Logo, se ela tem a capacidade de formar as experiências que os seres mentais gozam, saber como sugestionar a mente é o segredo da bonança, da vida repleta de boas experiências. E por que não dizer: o segredo da prosperidade?

Para ter boas ideias, então, é só ir para onde se possa encontrar o mais possível de elementos agradáveis para a mente usar após canalizações dela própria ou sugestões que dermos. Lugar onde se está emitindo boas vibrações. Magnatas perambulando, carrões passando, o som de música bem agradável, cheiro de boa comida, um vento aliviante tocando o rosto. Sem dar chance para a mente se impressionar ou canalizar o que não traz benefício.

Emoções irão pintar e gerarão pensamentos positivos, que darão forma a sentimentos que farão o instante observado valer a atitude. E, ainda, se for um insight o que se foi buscar, a chance de sair do local com uma fórmula na cabeça ou uma coisa já materializada na mão será grande.

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terça-feira, 29 de junho de 2021

Viver bem é muito fácil: Desprender de valores impostos

Quem durante um tempo da vida teve oportunidade de conhecer o estilo de vida rural ou pelo menos o vivido pelas pessoas das periferias dos grandes centros urbanos nas décadas de 1980 e anteriores pôde observar no próprio terreiro de casa ou nos quintais vizinhos ou de todo o bairro criações de galinhas.

IMAGEM: Google

Para as galinhas eram construídos galinheiros. A maior parte do dia, elas ficavam dentro da construção a viver seu cotidiano de andar para lá e para cá cocoricando e batendo asas. Botavam ovos e logo que escurecia subiam para o poleiro, que é onde dormem.

IMAGEM: Pinterest

E havia em todas as casas onde construíam desses estabelecimentos uma grande parte do imóvel mantida em terra crua. Era onde as aves perambulavam por um período a partir de determinada hora do dia. O terreno ficava sempre limpo, de tanto as galinhas ciscarem, pois, elas retiravam do solo tudo quanto era folha de planta que encontravam.

IMAGEM: Google

Se podia observar as galinhas com pintinhos recém-nascidos educando seus filhotes. Ensinavam a eles a bicar o solo em busca das folhas de grama. A encontrar a vasilha com água. A esquivar-se de ser apanhado por alguém da casa que quisesse pegá-los.

IMAGEM: Google

Exceto sair de dentro do galinheiro para passar um tempo no quintal e voltar para ele, ter a vasilha de água enchida e milhos distribuídos pelo chão da instalação para que as poedeiras, os filhotes e o galo se alimentem, todo o resto dessa rotina acontece sem a intervenção humana.

Os animais irracionais não se preocupam com outras coisas que não as que incondicionalmente suportam a sua existência, como se alimentar, hidratar e dormir. Nem mesmo o tempo gasto com perambulações eles gastam com atenção plena no fato ou atribuindo algum julgamento. As decisões que tomam acontecem intuitivamente. 

IMAGEM: Google

Eles não dão importância a coisas como ser ou não ser bonito; ser mais fácil de se executar uma tarefa ainda que fundamental; ter um cônjugue exclusivo para amaziar-se, receber carinho, trocar palavras agradáveis que massageiam o ego, praticar sexo. 

IMAGEM: Google

Até mesmo ter filhotes acontece naturalmente, os outros animais não julgam se é necessário tê-los ou não. Sequer preocupam quanto a preservar a espécie. A natureza é que toma por eles todas essas decisões e os tocam a intuição. Embora não se ocupem com contemplação de alguma arte, leitura, atividade complexa de lazer, eles são como atores num palco desempenhando o papel lhes dado pelo escritor e diretor de uma peça teatral, desempenhados os cargos pela natureza.


Voltemos agora ao homem primitivo. Em nada ele se diferenciava dos outros animais viventes de sociedades. Sua capacidade intelectual no início era equivalente às dos irracionais. E seu tempo de viver era vivido essencialmente realizando atividades indispensáveis à sua sobrevivência.

IMAGEM: Google

Porém, seu intelecto evoluiu, tornando o Homem capaz de observar a realidade, de modo a analisá-la e a se encher de curiosidade. Ao ponto de chegar um dia a ser capaz de explicar a si mesmo ou de contar a própria história e a do mundo onde vive. Daí complexou-se todo o resto.

Desenvolvendo sua forma de analisar seu arredor, a ideia de beleza se descortinou para o Homem. E ele começou a ver beleza e feiura em tudo. E a classificar as coisas e seres conforme o que percebia, atribuindo valores por si próprio ou de acordo com a instrução que recebia, inicialmente apenas dos mais velhos da tribo, não só dos pais. Assim, outras dualidades e atribuições ele fecundou.

O hermetismo fala sobre polaridade, sobre tudo ter um oposto. Mas, só quem tem consciência da do tipo que tem o humano é capaz de julgar essa polaridade. E até precisa disso para medir e interagir com o mundo. Para os outros animais não existem em suas mentes essas polaridades. As medições necessárias, como a que distingue um terreno transponível de um buraco, lhe ocorre naturalmente. A natureza, então, seria uma espécie de consciência universal não atrelada a um corpo físico de reinos e espécies distintos, que age por conta própria quando o ser não é muito independente intelectualmente.


Muita romantização, poetização e conceitos de ética foram brotando na mente humana. E com isso, valores morais foram sendo inseridos em seu cotidiano de vida social, tornando o Homem mais independente do Cosmos, mas, afastando a espécie cada vez mais da sua natureza e das providências automáticas e infalíveis dela.

Porque a virtude da beleza, por exemplo, seduz, o Homem, que já havia desenvolvido roupas como equipamento para proteger-se do clima, viu ele nestas uma opção para esconder o corpo e evitar casualidades como, por exemplo, atentados ao pudor.

E da mesma forma vieram todos os outros valores que a maioria das sociedades humanas até hoje em dia conserva, bem como as preocupações e sentimentos de frustração por não estar a arcar com algum desses valores.

Constituir família; praticar somente sexo para obter orgasmo, reprimindo o auto-toque íntimo; namorar, noivar, casar, viver junto com alguém do sexo oposto ou não; se manter belo, bem aparentado, ao se exibir em público; ter filhos. Isso tudo são preocupações inatas do ser humano. Nada disso é elementar para ele gozar sua existência.

Assim como não é para os outros animais e os vemos na mesma condição, ainda hoje, a realizar seus ciclos. Sem problemas que já não lida com eles, sem estresse e sem mudança de humor. Mudar esse funcionamento automático da vida, arraigar no inconsciente que os valores que carrega consigo são inexoráveis, não foi bom para a humanidade. São fatores de infelicidade. E quando deixamos que a não incidência dessas instituições em nossas vidas as abalem, estamos atendendo a terceiros e não a nós mesmos.

É o líder religioso que precisa que se pense que religião é importante, que se acredite em divindades e que se espere por uma salvação que nem mesmo se sabe do que se é salvo. São as instituições políticas, bélicas, religiosas, corporativas, acadêmicas que precisam que a ideia de família seja mantida, que as mulheres queiram ser mães e concebam filhos. Pelo simples fato de que farão as proles parte das engrenagens do Sistema e manterão as rodas girando.

São essas instituições que se beneficiam do sentimento materno que elas mesmas adoram romantizar, poetizar, com o fim de manter a chama acesa. E também o contingente populacional necessário para dar suporte e continuação às sociedades humanas. Vão para essas instituições: eleitores, soldados, fiéis, trabalhadores, escolares e, sobretudo, consumidores. E os governos se justificam administrando toda essa gente e instituições.

Então, se você se flagela por não conhecer ou ter frequente oportunidade de praticar sexo: lembre-se que a natureza fez o orgasmo como uma atividade do seu corpo, para alcançá-lo você não precisa de ninguém, pode conseguir sozinho. É para você não deixar de se importar com sexo por poder se masturbar, coisa que compromete a produção de pessoas para fazer rodar a engrenagem do sistema, que marginalizam a prática e colocam na cabeça das pessoas que se tem que namorar, casar, procriar. Enfiam na cabeça da gente que felicidade é isso e que devemos buscar por ela.

E felicidade são momentos e não algo que se alcance e que uma vez alcançado, provavelmente por ter se conseguido ticar todos os "deveres" e "feitos" doutrinados, se será para sempre feliz.

Namorar, praticar sexo, viver a dois, ter filhos são apenas momentos felizes. Mas não é a Felicidade personificada e nem tampouco eventos insubstituíveis. Se substitui, sim, inclusive por opções a que se possa chegar individualmente a elas. Sem a participação de qualquer outro.

Se você se flagela ou se reprime por qualquer outra coisa além das mencionadas como exemplo, verifique se o que te perturba é algo que você realizaria incondicionalmente se ainda vivêssemos como o homem primitivo. Caso não seja, pare de perseguir isso, pare de produzir o próprio sofrimento e pare de querer dar satisfação para terceiros e pôr sua vida nas mãos deles. Seja dono da sua vida!

E ademais, quando você se desfaz da tormenta de arcar com deveres lhe impostos ou de desejar algo lhe ensinado e que lhe traz curiosidade por experimentar, você se solta. E é dando de mão da ansiedade que a obsessão traz, ou seja: se soltando, é que se consegue entrar em estado de bem-estar, que faz com que se sintonize com o fluxo de energia positiva abundante no éter e essencial para a materialização de qualquer experiência que desejamos experimentar.

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Paz profunda! Vida longa e próspera!